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quarta-feira, 21 de março de 2012

Dom Orani aos jovens: Um caminho no amor

Queridos Jovens,
Dedico estas palavras especialmente a vocês, presente e futuro da Igreja e da humanidade. O entusiasmo e alegria que lhes caracterizam são espelhos da beleza de Deus. A eternidade é a nossa vocação, e vocês são reflexos de que é possível viver plenamente, pois não há nada que nos mantenha mais jovens do que a graça e a amizade com Deus.
Sob o impulso da presença do Pontifício Conselho para os Leigos em nossa cidade nestes dias compartilhando as experiências organizativas das JMJ realizadas até hoje achei que seria importante darmos passos naquilo que é essencial nesses encontros: a espiritualidade!
Gostaria de percorrer com vocês os aproximadamente 500 dias que nos separam da Jornada Mundial da Juventude em 2013, que se realizará na Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro. Quero estar ao lado de cada um de vocês, com minhas palavras e orações, sacrifícios e trabalhos. Somos todos convidados por Cristo a entrar no caminho do amor, para renovar nossa fé e entusiasmo na missão.
Este é o grande objetivo das jornadas: renovar no amor. E não um amor qualquer, mas o mesmo fundamento e princípio de qualquer amor verdadeiro. Encontrar com Aquele que é o Amor (1 Jo 4,16).
No Domingo de Ramos de 1984, ocorreu o maravilhoso Jubileu dos Jovens por motivo do Ano Santo da Redenção. O Servo de Deus, Papa João Paulo II, entrega a Cruz aos Jovens. No ano seguinte, aproveitando o Ano Internacional da Juventude proclamado pela ONU, realiza-se, em Roma, um encontro mundial do Papa com os Jovens. Nesta ocasião, o grande apóstolo da juventude, o Beato João Paulo II, dedica uma Carta Apostólica a vocês, meus caros jovens.  E percebendo os frutos de conversão e renovação dos encontros anteriores, anuncia a instituição da Jornada Mundial da Juventude. Esta ocorre anualmente em cada diocese no Domingo de Ramos, e a cada dois ou três anos tem-se a grande Jornada Internacional, que reúne milhares ou milhões de jovens em um único lugar.
Finalmente, nosso grande e amado Brasil foi agraciado com essa oportunidade, 25 anos depois da primeira realizada fora de Roma, na Argentina. E esta será a segunda JMJ a ser realizada na América Latina. A cruz que um dia foi entregue aos Jovens continua percorrendo e preparando nossos corações para acolher e anunciar Cristo, inspirados no exemplo de Maria. Ela percorre a nossa pátria, e até 2013 terá peregrinado por todas as dioceses desta Terra da Santa Cruz. Contudo, ela não deve apenas passar, algo da Cruz de Cristo deve permanecer em nossos corações.
Os braços abertos de nosso Redentor indicam até que ponto devemos estar dispostos para servir e ajudar nosso irmão. É neste trono que Cristo resgatou toda a humanidade. A nossa alegria está intimamente conectada com os sofrimentos de Cristo. Não há amor verdadeiro sem responsabilidade, que é a capacidade de responder pelos próprios atos. E, muitas vezes, isso exige sacrifício e abnegação.
Não tenham medo de viver com responsabilidade, pois só através dela haverá uma verdadeira liberdade. E apenas na liberdade poderemos amar e perceber o quanto Deus nos ama. Deus não nos obriga a amá-Lo, pois amor que não é livre, não é amor.
A Jornada Mundial da Juventude Rio 2013 não pode se reduzir aos poucos dias de alegria e entusiasmo que teremos em julho do próximo ano. Ela deve ser o ponto alto de um itinerário no amor. A preparação já é encontro, conversão e renovação em Cristo. Por isso, é importantíssimo intensificar a vida de oração e sacramental. Convido os jovens a se engajarem nos grupos paroquiais e movimentos.
Não temos dúvidas de que 2013 será uma apoteose da fé, que lançará com novo ardor a Juventude Católica nos rumos da nova evangelização. A palavra apoteose, de origem religiosa, possui diversos significados. Entre elas está o de glorificação. A Glória não é apenas uma alegria passageira, efêmera, fugaz e superficial. A Glória é a manifestação, aos olhos de todos, de uma qualidade já existente, mas oculta. Neste sentido, a Jornada permitirá mostrar e manifestar a força da fé de nossa juventude. Mas isso só será possível se, desde agora, houver um esforço ascético e místico para renovar o amor através do encontro com Cristo, que se realiza na oração, na Eucaristia, na confissão, na Liturgia, na participação comunitária e na missão.
Com o objetivo de acompanhá-los, estarei refletindo sobre os temas das jornadas anteriores, enquanto aguardamos a mensagem do Papa Bento XVI para a JMJ Rio 2013. Tenho a convicção de que olhar para o passado nos permitirá preparar-nos bem no presente para viver com esperança o futuro. Nos diversos temas vemos um verdadeiro programa de vida para a renovação na fé.
Meus caros jovens, contem comigo! Contem com minhas orações. Saibam que meu coração está com vocês. Sejam promotores da fé e do amor. Renovem com suas vidas a esperança, que parece ter sido roubada pelas dificuldades do homem de hoje. Provem que é possível viver a vida plenamente, e que o pecado é um obstáculo para a verdadeira felicidade.
Que nossa Mãe Maria, Estrela da Evangelização, interceda por nós para que possamos conhecer, cada vez mais, o coração de seu amado Filho.

† Orani João Tempesta, O. Cist.
  Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Advento e experiência de Deus

Este foi o tema sugerido num retiro espiritual. Transcrevo alguns trechos, com o intuito de que possam ajudar-nos a viver com intensidade o verdadeiro sentido do Advento, pois Deus vem para se comunicar, estabelecer amizade e aliança, intimidade e reciprocidade com a humanidade. A espiritualidade do Advento privilegia cinco experiências de Deus. Vejamos:

A experiência da beleza: Encontramos Deus e fazemos altas experiências de sua grandeza, beleza, sabedoria, providência e amor nas obras da Criação. “Os céus narram a glória do Senhor”, diz o Salmista. As coisas visíveis nos levam ao invisível. Temos razões demais para a consciência e o amor ecológicos. Deus vem e está na Criação.

Os encontros: Nossa vida é marcada pela “arte do encontro”. Encontrar-se, relacionar-se, comunicar-se faz bem a nós e aos outros. São marcantes os encontros que Jesus estabeleceu com as pessoas. O que promove a mudança e o crescimento é a relação de amor. Advento é tempo propício para encontros humanos, mas principalmente de encontro com Deus e com nós mesmos. Encontro é empatia, compreensão, perdão, sensibilidade. Nossos encontros são lugares de experiências de Deus. Ele gosta de ser encontrado nas pessoas amigas, nos pobres, presos, pecadores. Tão importantes são os encontros, que os próprios desencontros podem levar ao encontro.

A arte: Deus gosta de ser encontrado através da beleza da arte, da música, da dança, do teatro, das pinturas, imagens e poesias. A arte verdadeira é epifania do mistério e sacramento do Sumo Bem. Na arte se dá a experiência do Advento de Deus, enfim, “a beleza salvará o mundo” (Dostoiévski). Deus é o artífice das belezas criadas e a obra-prima de suas mãos é a pessoa humana. Jesus, no Natal, faz-se um belo Menino e será o bom e belo pastor. Ele é a maior fascinação da humanidade.

A liturgia: As celebrações realizadas com fé e arte, com ética e estética, exercem fascínio e comoção, trazem Deus até nós e nos levam até Ele. Os ritos e os ritmos, atraem, cativam e convidam ao sublime, ao transcendente, as coisas do alto. As cerimônias religiosas são a luz da glória de Deus. As celebrações, especialmente a missa, perdem seu encanto quando são mal preparadas e mal celebradas. A liturgia abre as portas do coração, convida para a comunhão, deslumbra para o sublime e nobre, torna palpável a ação da graça. Todas as celebrações devem facilitar o advento de Deus e uma amorosa e profunda experiência do mistério.

A generosidade: Um gesto de amor vale mais que toda a massa do universo e que todas as pregações. Onde está a solidariedade, ali está Deus. Nosso amor fraterno é manifestação de Deus para a pessoa amada. A linguagem da generosidade é universal. Deus é encontrado na experiência da dádiva, do altruísmo, do voluntariado. Como não ver Deus num gesto de adoção, de doação, de gratuidade. Todo gesto de amor é visibilidade da presença de Deus, é advento da graça.

Caro Leitor, neste tempo de Advento, somos convidados a proclamar a beleza da experiência de Deus nos encontros humanos, como arte do seu amor por nós, que se revela como liturgia de ação de graças, e se manifesta na generosidade de quem sabe amar.